Berenice Barreto Fernandes
( Berenic )
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Berenice Barreto Fernandes, conhecida como Beré ou Berenic

é natural de Crato Ceará e reside no Rio de Janeiro desde 1981.

As pinturas da artista plástica Berenic conseguem construir locais

paradisíacos em que o universo de cores surpreende

e se torna a sua marca registrada.

 

 

 

Amazônia
 
Berenic
A Intensidade das Cores 

                        

Quando se pensa na Amazônia, a primeira imagem que costuma vir à mente

é a de imensas árvores alinhadas com predomínio da cor verde

ou a de rios caudalosos com cores muitas vezes barrentas.

Há outros ainda que vão se recordar da fauna,

principalmente das aves maravilhosas que

encantam pelas suas infinitas tonalidades.

 

As pinturas da artista plástica Berenic, fogem a esses lugares comuns.

Elas conseguem construir locais paradisíacos em que o universo

de cores surpreende e se torna a sua marca registrada.

A explosão imagética nos leva a uma Amazônia muito pessoal,

marcada pela exuberância e pela multiplicidade.

 

Não se pense, porém, que se instaura um caos visual em que ocorre

a manifestação quase divina de um universo em que as cores

se articulam em nome de uma mensagem de harmonia.

 

 

 
Arvore de Uansquem
 

Azuis, vermelhos e amarelos compõem um caleidoscópio de sensações

de uma artista "naïf" sempre pronta a nos oferecer uma nova

possibilidade interpretativa daquilo que a realidade oferece.

Em seu trabalho, não há mais limites a ameaçar a nossa imaginação,

mas o estímulo à capacidade de mergulhar no desconhecido.

 

Berenic chegou a esse estágio em suas criações após uma interessante trajetória.

Ela nasceu em Crato, CE, onde passou a infância e parte da adolescência.

Desde criança gostava de desenhar e trocava a oportunidade de brincar

no pátio pelo prazer de desenhar figuras no quadro negro.

  

Esse amor à arte já vinha de maneira forte do lado materno, pois a avó

fazia crochê e a mãe costurava, bordava e pintava em tecido,

sendo professora de artesanato.

 

Aos 12 anos, foi passar férias em Salvador (BA)

e passou um ano na casa dos tios.

Depois, voltou a sua cidade natal, onde concluiu o primário,

mas, impressionada com o mundo da arte da Bahia,

decidiu seguir os estudos em Salvador.

 
 
As Amazonas
 

Ali, com o tio Pedroso, conhecido artista "naïf", começou a visitar

museus e galerias, conhecendo as festas folclóricas locais.

 

Posteriormente, Berenic fez curso de formação em Arteterapia,

trabalhou como secretária, teve filhos e realizou cursos de tapeçaria e artesanato.

A arte não a deixava, manifestando-se de diversas formas, quando,

já adulta, usava lápis de cor das crianças para rabiscar desenhos.

 

Vendo aquele talento para arte sendo desperdiçado,

Pedroso presenteou Berenic com tintas e pincéis

e a estimulou a passar aquelas imagens para a tela.

Para surpresa dela, os primeiros quadros foram

logo vendidos na loja do tio e começaram

a surgir convites para exposições.

 

Berenic realizou a sua primeira individual em 1979, mesmo ano

em que se mudou para São Paulo, onde morou por dois anos.

Depois, foi para o Rio de Janeiro, onde deu vazão a temáticas

como folclore e a paisagens paradisíacas e coloridas

onde vasos de cerâmica ganhavam destaque.

 

 

 

Banho das icamiabás
 

 

Após freqüentar cursos no Museu de Arte Moderna/RJ em que buscou

entender mais a análise e a crítica da obra de Arte, História da Arte

e Arte Contemporânea, chegou a pintar imagens de interiores de casas.

 

Sua nova fase, voltada para a temática indígena, porém, iniciou-se em 1982,

quando foi uma das artistas "naïfs" convidadas a participar de uma exposição

 no Museu Nacional de Belas Artes/RJ, que tinha como proposta

levar os participantes a recriar a visão da Primeira Missa

da tela clássica de Victor Meireles.

 

Foi despertado então o desejo de conhecer melhor o mundo indígena,

principalmente as suas legendas, mais precisamente

as localizadas na exuberância da Amazônia.

 

Uma das primeiras telas sobre o assunto foi sobre o boto cor-de-rosa.

Seguiram-se outras imagens amazônicas, que hoje integram acervos

no Brasil, França, Canadá, Itália, Japão e EUA.

 

 

 

Banho no igarapé
 

O universo que Berenic nos faz deslumbrar é o do poder

da arte de estabelecer uma nova realidade.

 

A Amazônia que ela apresenta em suas telas é própria, fantástica

e transcendente por brotar da capacidade criativa e pictórica

de uma autodidata que não conhece a região pessoalmente,

mas é capaz de captar o seu espírito ancestral e presente com 

sua sensibilidade de artista autodidata e exímia colorista.

 

 

Autor do texto:

Oscar D'Ambrosio, jornalista, mestre em Artes Visuaispelo

Instituto de Artes da UNESP, integra a Associação Internacional de

 Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil) e é autor, entre outros,

Contando a arte de Petico (Noovha América) e

Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor naïf Waldomiro de Deus

(Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo). 

 

 

 

 

Boto rosa acrílica
 
 

 

Outras referências sobre a vida e obra de

Berenice Barreto Fernandes

encontram-se na Mostra 1 e nas subseqüentes.

 

Contato:

berenicfernandes@yahoo.com.br 

 
 
 

Fundo musical: 

April Love

Paul Francis Webster, 1907 - 1984

 

 

Produção: Mario Capelluto
Supervisão: Ida Aranha

Formatação: Julia Zappa 

 

mario.capelluto@terra.com.br

http://www.sabercultural.com